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| Umberto Eco |
Aloísio Gueiros
A respeito dos meios de comunicação, não existe uma
concepção unívoca. Ou seja, nem todos mundo pensa da mesma forma com relação
aos efeitos que os mass media causam
na sociedade. Não por acaso, o intelectual europeu Umberto Eco adotou os
conceitos de apocalípticos e integrados para classificar justamente os dois
tipos de concepções que – grosso modo – permeiam o pensamento comunicacional.
Apocalípticos seriam aqueles céticos ou pessimistas, os
quais veem com grande preocupação a escalada da indústria cultural e sua
estandartização e mercadorização da
cultura. Como exemplo, pode-se elencar os pensadores da Teoria Crítica da
Escola de Frankfurt, os quais não fizeram concessões à chamada indústria do
entretenimento.
Por outro lado, os integrados admitem e até mesmo louvam as
potencialidades educativas dos meios de comunicação de massa, na medida em que
estes poderiam funcionar como difusores da cultura e da educação,
possibilitando a superação do monopólio burguês da cultura. Ou seja, ao menos
em potencial, os mass media, enquanto mídias, poderiam ser grandes aliados da
socialização e democratização do saber. O cientista brasileiro Roquette Pinto é
um exemplo de um pensador que compartilhava de tal premissa. Ao instalar no Rio
de Janeiro a primeira emissora de rádio do país, no seio da Academia Brasileira
de Ciências, o cientista tinha como objetivo justamente popularizar a ciência e
a cultura. Isso em uma época em que os índices de analfabetismo no Brasil eram
muito superiores aos atuais.
Apocalípticos e integrados | Umberto Eco. Editora Perspectiva.
Apocalípticos e integrados | Umberto Eco. Editora Perspectiva.



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